domingo, 11 de outubro de 2009

CRIANÇA: CONSUMISTA OU CIDADÃ?

NO DIA DAS CRIANÇAS VENDO REPORTAGENS SOBRE O COMÉRCIO É INTERESSANTE PENSARMOS... FREI BETO ESCREVE UM ARTIGO MUITO INTERESSANTE...LEIA...


TAMBÉM ESTAMOS VENDO NA NOVELA DAS OITO UMA CRIANÇA VILÃ... AÍ É DEMAIS... ROMPERAM TODOS OS LIMITES DA TOLERÂNCIA... É INADIMISCÍVEL UMA CONCESSÃO PÚBLICA, QUE É A TV, PRESTAR ESTE TIPO DE SERVIÇO... E O MP VAI DAR QUANTOS DIAS, MESES... DEPOIS QUE TERMINAR A NOVELA...? O PRÓPRIO AUTOR JÁ DISSE QUE A CRIANÇA VAI SER E ESTÁ SENDO VILÃ... ENTÃO ESPERAR O QUÊ? AH MAS TEM GENTE QUE DIZ QUE EXISTE CRIANÇAS ASSIM... É CLARO QUE TEM... E ELA NASCEU SABENDO, FAZENDO ISTO? ALGUÉM COMENTOU DIZENDO QUE ELA É O MELHOR DA NOVELA... ESPERO QUE UMA PESSOA DESTAS NÃO TENHA FILHOS...

Dia da criança: cidadã ou consumista?
Frei Betto
Na próxima segunda, 12 de outubro, comemora-se o Dia da Criança. Momento de refletir o que temos feito com as nossas. Estamos formando futuros cidadãos ou consumistas?
Pesquisas indicam que as crianças brasileiras costumam passar 4 horas por dia na escola e o dobro de olho na TV. Impressiona o número de peças publicitárias destinadas a crianças ou que as utilizam como isca de consumo.
A pesquisadora Susan Linn, da Universidade de Harvard, constatou que o excesso de publicidade causa nas crianças distúrbios comportamentais e nutricionais. De obesidade precoce, pela ingestão de alimentos ricos em açúcares ou gorduras saturadas, como refrigerantes e frituras, à anorexia provocada pela obsessão da magreza digna de passarela.
Sexualidade precoce e desajustes familiares são outros efeitos da excessiva exposição à publicidade. São menos felizes, constatou a pesquisadora, as crianças influenciadas pelas ideias de que sexo independe de amor, a estética do corpo predomina sobre os sentimentos, a felicidade reside na posse de bens materiais.
Impregnada desses falsos valores, tão divulgados como absolutos, a criança exacerba suas expectativas. Ora, sabemos todos que o tombo é proporcional ao tamanho da queda. Se uma criança associa a sua felicidade a propostas consumistas, tanto maior será sua frustração e infelicidade, seja pela impossibilidade de saciar o desejo, seja pela incapacidade de cultivar sua autoestima a partir de valores enraizados em sua subjetividade. Torna-se, assim, uma criança rebelde, geniosa, impositiva, indisciplinada em casa e na escola.
A praga do consumismo é, hoje, também uma questão ambiental e política. Montanhas de plástico se acumulam nos oceanos e a incontinência do desejo dificulta cada vez mais uma sociedade sustentável, na qual os bens da Terra e os frutos do trabalho humano sejam partilhados entre todos.
Um dos fatores de deformação infantil é a desagregação do núcleo familiar. No Dia dos Pais um garoto suplicou ao pai, em bilhete, que desse a ele tanta atenção quanto dedica à TV... Um filho de pais separados pediu para morar com os avós após presenciar a discussão dos pais de que, um e outro, queriam se ver livre dele no fim de semana.
Causa-me horror o orgulho de pais que exibem seus filhos em concursos de beleza. Uma criança instigada a, precocemente, prestar demasiada atenção ao próprio corpo, tende à esquizofrenia de ser biologicamente infantil e psicologicamente “adulta”. Encurta-se, assim, seu tempo de infância. A fantasia, própria da idade, é transferida à TV e ao apelo de consumo. Não surpreende, pois, que, na adolescência, o vazio do coração busque compensação na ingestão de drogas.
Com frequência pais me indagam o que fazer frente à indiferença religiosa dos filhos adolescentes. Respondo que a questão é colocada com dez anos de atraso. Se os filhos fossem crianças, eu saberia o que dizer: ore com eles antes das refeições; leiam em família textos bíblicos; evitem fazer das datas litúrgicas meros períodos de miniférias, como a Semana Santa e o Natal, e celebrem com eles o significado religioso dessas efemérides; incutam neles a certeza de que são profundamente amados por Deus e que Deus vive neles.
Crianças são seres miméticos por natureza. A melhor maneira de interessar um bebê em música é colocá-lo ao lado de outro que já tenha familiaridade com um instrumento musical. Ora, o que esperar de uma criança que presencia os pais humilharem a faxineira, tratarem garçons com prepotência, xingarem motoristas no trânsito, jogarem lixo na rua, passarem a noite se deliciando com futilidades televisivas?
Criança precisa de afeto, de sentir-se valorizada e acolhida, mas também de disciplina e, ao romper o código de conduta, de punição sem violência física ou oral. Só assim aprenderá a conhecer os próprios limites e respeitar os direitos do outro. Só assim evitará tornar-se um adulto invejoso, competitivo, rancoroso, pois saberá não confundir diferença com divergência e não fará da dessemelhança fator de preconceito e discriminação.
É preciso conversar com elas, através da linguagem adequada, sobre situações-limites da vida: dor, perda, ruptura afetiva, fracasso, morte. Incutir nelas o respeito aos mais pobres e a indignação frente à injustiça que causa pobreza; senso de responsabilidade social (há dias vi alunos de uma escola varrendo a rua), de preservação ambiental (como a economia de água), de protagonismo político (saber acatar decisão da maioria e inteirar-se do que significam os períodos eleitorais).
Se você adora passear com seu filho em shoppings, não estranhe se, no futuro, ele se tornar um adulto ressentido por não possuir tantos bens finitos. Se você, porém, incutir nele apreço aos bens infinitos – generosidade, solidariedade, espiritualidade – ele se tornará uma pessoa feliz e, quando adulto, será seu companheiro de amizade, e não o eterno filho-problema a lhe causar tanta aflição.
Saber educar é saber amar.

ELA É PERIGOSA
Vilã mirim? É pra já!

Sucesso em comerciais de TV e em produções como Mothern (GNT) e Revelação (SBT), a atriz mirim Klara Castanho, oito anos, conquistou muita gente com seu jeitinho meigo. Mas a garota está prestes a subverter essa imagem em Viver a Vida. Ela será Rafaela, a vilã mirim da novela de Manoel Carlos.– Minha personagem vai aprontar muito e não será só uma pestinha. Ela fará maldades, mas não posso falar quais porque estragaria a surpresa – conta Klara.Na história, Rafaela será muito apegada à mãe e, com ela, terá uma forte parceria.– Elas formarão uma duplinha e tanto – fala a menina. – Estou ansiosa. Ainda não gravei muito, mas sei que terei muitas falas. Não estou preocupada com isso, não.E é Manoel Carlos quem diz qual delas será mais maléfica.– A real vilã da história é a Rafaela. Ela é uma menina capaz de grandes crueldades no meio de sua inocência. Não existe ninguém mais cruel do que uma criança. É só a gente observar – comenta Maneco.A inspiração do autor para criar a pequena vilã veio da vida real:– Conheci uma criança de cinco anos que matou um coelho aos poucos e chamou o pai para ver. Hoje, ela é uma ótima profissional. É médica, mas, quando era pequena, fazia coisas assim. Algumas crianças têm isso. Não significa que serão pessoas más.Mãe de Klara, Karla Castanho diz que não está preocupada com a repercussão que o papel da filha pode ter.– Ainda não sei o grau de vilania que ela terá, mas tenho certeza de que o Manoel Carlos não faria isso dentro de um contexto para expor uma criança – diz Karla.Maneco não parece estar preocupado com a possível vigilância:– Se fosse uma vilã e freira, iriam falar do mesmo jeito. Se eu fosse sofrer com novela, não escreveria nenhuma.

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